sexta-feira, 22 de julho de 2016

Dois Primos Viscondes



                                   Dois Primos Viscondes



Camilo Castelo Branco, afrontou os "Torna Viagem" Portugueses, que para fugirem á miséria em Portugal, foram para o Brasil e tiveram muita sorte (a sorte geralmente requer muito trabalho) de regressarem ricos alardeando os sinais exteriores das suas grandes fortunas.


Nalguns casos, talvez possamos questionar, se toda aquela riqueza foi adquirida por meios condignos, mas é errado acusar alguém, sem disso ter provas. Devemos é honrar a memória daqueles que muito trabalharam, e comprovadamente foram grandes beneméritos

Alguns desses "Brasileiros", quando regressaram, ergueram Pala-cetes para impressionar a populaça, mas outros, foram mais longe, e tanto no Brasil como em Portugal, deram provas de grande generosidade, e por isso merecem ser recordados.

Muitos deles, continuam esquecidos, mas pior do que isso; por cada "Brasileiro" que voltou rico, foram muitos milhares de  portugueses os que nunca enriqueceram no Brasil, e entre estes, infelizmente, foram inúmeros os que lá morreram na miséria .

Quando pedi ajuda um Genealogista amador Jorge Santos para investigar a vida e obra do meu trisavô, nem os meus familiares mais próximos tinham noticias relevantes. Pouco mais, alem de erros e omissões, era o que havia em livros e na net. Ninguem sabia, onde tinha nascido ou sido baptizado, o meu trisavô,  Bernardo Antonio Antunes, O Visconde de Nazaré.

Inclusive, genealogistas residentes na região onde ele nasceu, foi baptizado e viveu em criança, desconheciam completamente, que aquele menino pobre, foi depois O Visconde de Nazaré
  
Entre as pessoas que ajudaram no âmbito desta investigação, o Ex.mo Sr Antonio Pereira, proprietário da quinta da Veiga e Malha-
- doira, uma joia do turismo rural no coração do Gerês, deu  ajuda preciosa, ao mostrar-nos o assento de baptismo, do Visconde do Penedo, que os livros e as enciclopédias, erradamente, diziam ser irmão do  Visconde de Nazaré. Não sendo irmãos, são primos, pelo que aquele assento de baptismo foi o primeiro farol que nos alumiou.

Passados seis anos, continuamos a investigar. Inicialmente era o Visconde de Nazaré quem procurávamos, mas fomos percebendo que  o  primo dele , o Visconde do Penedo, foi outra personalidade igualmente marcante, que deixou o seu nome gravado a ouro, na História de Belem do Pará do Século XIX e ainda hoje o seu sentido de solidariedade é homenageado.

Nos primeiros anos, tão longe das suas famílias, ambos terão chorado muita lágrima de saudade e vivido muitas horas amargas. Mas o que sabemos deles, é que á custa de muito trabalho, fizeram -se homens honrados e respeitados, e aqui mostraremos as provas disso.                 

Ao longo da nossa investigação, encontrámos pessoas generosas, e outras nem por isso. Desgostou-nos sobremaneira, a ingratidão, daqueles que receberam de nós informações fundamentais, que confessaram desconhecer completamente, mas depois nos viraram as costas, como se tivessem sido eles, quem investigou o que lhe demos de mão beijada.

Não temos da vida grandes ilusões, mas tentamos respeitar os vivos e honrar os mortos. Persiste em nós uma ténue esperança de que vale a pena fazer justiça aos que já partiram. 

Acreditamos que, um homem só morre totalmente, se por todos for esquecido para sempre.


Minas Gerais, 22 de Julho de 2016 

Francisco Cannas Simões / Jorge Santos